Viver é sonhar, morrer é despertar

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ouspensky e as emoções negativas.

O texto abaixo é excepcional no que concerne a compreensão e separação do eu no processo de compreensão. Claro que não basta apenas aceitar o escrito abaixo, é preciso viver praticamente tal situação. Também é necessário níveis de compreensão para compreender o abaixo, separar o eu e compreende-lo a fim de extirpar não é questão de principiantes, mas todo trabalho deve ter um início e este texto dará a possibilidade de diferentes níveis de compreensão a cerca do segundo fator.
Segue o texto:

"Essa é uma das piores ilusões que temos. Achamos que as emoções negativas são produzidas pelas circunstâncias, enquanto que todas as emoções negativas são produzidas em nós, dentro de nós. Esse é um ponto muito importante. Sempre pensamos que as emoções negativas são produzidas por culpa de outras pessoas ou por culpa das circunstâncias. Sempre pensamos isso. Nossas emoções negativas estão em nós mesmos e são produzidas por nós mesmos. Não há absolutamente nenhuma única razão inevitável pela qual a ação de alguém ou de alguma circunstância deva produzir uma emoção negativa em mim. É somente minha fraqueza. Nenhuma emoção negativa pode ser produzida por causas externas se não quisermos isso. Temos emoções negativas porque permitimo-las, justificamo-las, explicamo-las por causas externas, e desse jeito não lutamos com elas.
— P.D. Ouspensky, em “O Quarto Caminho — Registro de Palestras e Respostas a Perguntas Baseadas nos Ensinamentos de G.I. Gurdjieff”
[2]
Ainda não consigo entender porque todas as causas das emoções negativas estão em mim mesmo.
Se você se observar, verá que as causas externas permanecem as mesmas, mas algumas vezes elas produzem emoções negativas, outras vezes não. Por que? Porque as causas reais estão em você, existem apenas aparentes causas fora. Se você estiver em um bom estado, se você se lembra de si mesmo, se você não está se identificando, então nada que aconteça fora (relativamente falando, pois não estou me referindo a catástrofes) pode produzir uma emoção negativa em você. Se você está num estado ruim, identificado, imerso em imaginação, então tudo que possa ser apenas um pouco desagradável produzirá uma emoção violenta. É uma questão de observação.
— P.D. Ouspensky, em “O Quarto Caminho — Registro de Palestras e Respostas a Perguntas Baseadas nos Ensinamentos de G.I. Gurdjieff”
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Pessoas são máquinas. Porque o comportamento de máquinas deveria produzir emoções negativas? Se uma máquina esbarra em você, é culpa sua, você não deve ficar no caminho da máquina. Você pode ter uma emoção negativa, mas não é culpa da máquina, é culpa sua. Outras pessoas não tem tanto poder sobre você quanto você pensa, é apenas o resultado da identificação. Você pode ser muito mais livre se você não se identificasse, e algumas vezes você é mais livre. É por isso que eu digo que isso deve ser observado. Se você observar bem, você verá que às vezes você se identifica mais, outras menos; e por causa disso, algumas vezes você totalmente à mercê das forças das emoções negativas e outras vezes você tem uma certa resistência. Pode levar um bom tempo para aprender como resistir às emoções negativas, temos muito medo delas, consideramo-las poderosas demais. Podemos mostrar resistência a elas se persistirmos e não considerarmos que são inevitáveis ou onipotentes.
— P.D. Ouspensky, em “O Quarto Caminho — Registro de Palestras e Respostas a Perguntas Baseadas nos Ensinamentos de G.I. Gurdjieff”

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Os tempos em que vivemos e o sentido do trabalho sobre si.

Vivemos num tempo decisivo, nossa existência é um presente, nosso tempo é um bem altamente precioso, é como um combustível que vamos utilizando sem possibilidade de reabastecimento, todavia e cada vez mais as pessoas utilizam seu tempo como o que existe de mais ordinário e estúpido. As pessoas tem se idiotizado a níveis impressionantes ora agindo com uma imaturidade infantil, em outros momentos reagindo pior que um animal. 
Os animais coabitam no período fértil para reprodução, o chamado ser humano fornica a toda hora, acompanhado ou individualmente. O animal ataca alguma presa por instinto a qual a natureza estabeleceu, ele não dispõe de livre arbítrio ou escolha. O chamado ser humano agride por qualquer coisa mesmo tendo a opção de escolha em fazê-lo. O animal cumpre com seu papel e o chamado homem não cumpre com nada, apenas alimenta seus desejos e apetites, seu egoísmo, sua vaidade e ostentação, se perde no mar da distração. O mesmo ser humano acredita que por escrever, se comunicar e dominar uma pequena parcela da ciência, mesmo que de forma deficitária é um ser supremo. Deveria ser e foi chamado a isso, apenas que não tem capacidade de responder a esse chamado se animalizando e hoje se rebaixando mais que um animal da natureza.

Aqueles que descobriram o caminho estreito que conduz a liberdade que se agarrem e muito ao trabalho interno e suportem a pressão que vem de dentro. Não pode existir pressão externa uma vez que aquilo que nos chega são apenas impressões e estas não vem carregadas disso ou daquilo senão que nos mesmos validamos aquilo que nos chega segundo nossa psicologia.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Se pudéssemos realmente ver e compreender o horror da nossa verdadeira situação, seríamos incapazes de a suportar, mesmo por um só segundo. Começaríamos imediatamente a tentar encontrar uma saída e rapidamente teríamos êxito, porque existe uma saída. A única razão porque não a vemos é porque estamos hipnotizados. «Despertar» para o homem significa "despertar da hipnose". Essa é a razão pela qual isso é possível mas, ao mesmo tempo, difícil. Não existe nenhuma razão orgânica para estarmos adormecidos. "Podemos acordar", pelo menos em teoria. Mas na prática é quase impossível. Logo que acordarmos por um momento e abrirmos os olhos, todas as forças que nos causaram o adormecimento se tornam dez vezes mais poderosas. Nós voltamos a adormecer imediatamente, "sonhando" o tempo todo que ainda estamos a acordar ou mesmo despertos." Gurdjief.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Diálogo

- A percepção do eu pelo próprio eu nos leva a entropia.
- Mas isso é possível? 
- Sim, é possível e acontece na maioria das vezes.
- Por que acontece, não entendo como um eu pode ver outro eu.
- Nossa psicologia se adapta a tudo e claro, temos classes de eus relacionadas ao trabalho sobre si mesmo. Todo eu se acredita verdadeiro, tal é a natureza do eu, e por isso temos dificuldades de separar o eu. Veja, se você pensa sobre um eu, ou sobre alguma reação, pode-se dizer que é um eu pensando sobre outro eu, não há objetividade e por isso não existe possibilidade de separação do eu.
- Mas eu estou percebendo um eu e isso não seria separação deste eu?
- Não. Uma coisa é aceitar algo ou olhar algo, outra coisa é ver e compreender. Se eu apontar um defeito seu provavelmente você aceitará tal afirmação e passará até mesmo a notar esse eu, mas isso não significa que você verá pelos olhos da consciência a este eu. Assim fazem os psicólogos, eles apontam o erro dos outros e fazem o paciente se tornar "consciente" desse ego, todavia o paciente não pode eliminar este eu, no máximo o substitui por outro eu e nisso de substituir não existe verdadeiramente cura por que não houve a morte desse eu.
Com o tempo deixamos de ter força em nosso trabalho pelas bases fracas que construímos, nos perdemos e o mesmo eu nos convence da incapacidade de realizar o trabalho, porém com um agravante, agora existe em nossa psique o conceito experimentado pelo eu de incapacidade para se realizar a morte do eu.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Coração.

Devemos aprender a ouvir o coração, é essencial, é nosso SER que se comunica por este canal. Como ouvir o coração? Silenciando a mente. Como se silencia a mente? Morrendo em si mesmo, em nossas diversas mentes.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Férias

O blog sai de férias, volta em breve, desejo a todos que aqui visitam coragem e muita força para chegarem por si mesmos as compreensões, o importante para que se suba é saber de si, é fazer luz nas trevas, extrair seu próprio conhecimento por que é fato de que cada qual tem isso dentro de si mesmo, é uma questão apenas de buscar e ignorar as vozes de dentro que dizem o contrário.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Consciência versus mecânica.

A medida que a consciência se vê livre do defeito ela começa a trabalhar por critérios próprios, incompreensíveis para os demais e digo o porquê. A relação humana acontece por interação entre duas psicologias viciadas e mecanizadas. Uma que age pela mecânica e outra que recebe pela mecânica e assim se entendem. Um exemplo básico disso é que todo aquele que age pelo eu espera obviamente a reação do outro que encaixa em sua expectativa. Contamos uma piada e esperamos o riso dos demais, contamos uma aventura e esperamos reconhecimento dos demais, contamos uma desgraça da vida e esperamos conforto dos demais e da mesma forma reagimos quando nos contam algo. Mesmo que nossa reação seja distinta do que se espera é a mesma mecânica funcionando, seja esta por orgulho, por superioridade intelectual ou outra coisa qualquer. Já a consciência pode sorrir ou não com uma piada e nos sorrir ou não sorrir ela age pelo seu critério indecifrável. 
Ao longo do trabalho um esoterista se torna um pária na sociedade pelo fato de utilizar os critérios do eu. Outro exemplo, no trabalho as vezes cedemos a algo que nos prejudicará devido ao eu querer demonstrar prestatividade junto aos outros e na realidade além de nos prejudicarmos apenas satisfazemos o ego alheio. Já outras vezes a consciência percebe que é necessário aceitar aquilo que lhe chega pela sua própria leitura.

Os "gnósticos" em nome da bondade do ego pagaram muitas coisas por nada esperando reconhecimento em suas ações. A lei ou os Mestres não presenteiam a burrice do eu ou o fanatismo ou ainda interesses do mesmo eu em se tornar algo que não pode A consciência é natural e quando alguém pensa que ela vai agir de um modo comum ela atua de forma não comum e quando a mesma pessoas espera que a consciência atue de modo incomum ela atua de modo comum. Qual o critério para isso? Não existe! Agora querer fabricar isso através do eu apenas gerará mais confusão ainda por que o mesmo eu sabendo disso se encanta e começa a pensar em como imitar a consciência e não podendo se torna novamente a mecânica devido ao fato de que o eu não possui luz própria, ele é o que é, condicionamento. 
Nossa sociedade funciona por condicionamento uns junto aos outros o tempo todo, eis ai a contaminação, a pressão e a cobrança das pessoas que nos rodeiam. Ai está o sentido da revolução interna, não sobre os demais, mas sobre si mesmo e assim exerceremos a correta relação sobre os demais e deixaremos de receber as influências dos demais, que por si mesmas nada valem. 
As pessoas gastam energia falando cretinices, fofocas, experiencias de vida que nada acrescentam e sobretudo contando coisas de um passado morto, ora se vangloriando, ora se martirizando e repito, são conversas mortas, extremamente ordinárias, sem conteúdo luminoso. Viver dessa maneira é de completa inutilidade.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Relação "humana"

Nas relações existe muito estudo, uma oportunidade para o descobrimento de si.
Algumas curiosidades:
Uma pessoa ao ler notícias falará ao outro sempre a mais ruim das notícias, as pessoas tem um estranho gosto de conversarem sobre aquilo que é desgraça.

Ao conversar com outro e este nos contar uma situação temos três caminhos, ou concordamos e viramos cúmplices, ou discordamos e criamos um mal estar. O melhor é ouvirmos e se pudermos falar algo luminoso ou construtivo ótimo, caso contrário melhor apenas ouvir.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Vencer o início.

Mestre Judas nos fala desse início:

"O despertar ou a vigília de que falo é difícil, mas não impossível. É um contínuo esforço, um permanente andar às cegas durante muito tempo até que logramos compreender nossas falácias. Mas chega o grande momento a quem mantém vivo o esforço. Então se notam as possibilidades latentes no homem. É algo que se sabe por si mesmo, não se necessita que o diga ou interprete. Descobre-se no corpo distintas classes de vida, distintos níveis. Então, já não se anda às cegas. Sabe para onde vai e sabe porque faz tudo quanto faz."

O grande problema de todos aqueles que chegaram ao conhecimento é justamente o princípio, devem abrir o trabalho sem enxergarem nada, neste início e por um tempo pensam no trabalho pelo mesmo ego, o interpretam e até mesmo aquilo que recebem de cima é misturado ao ego e permanece o ego a querer levar o trabalho. Não importa, desde que tenha uma continuidade em meio a este caos interno, esta continuidade mais ou menos é capaz de conduzir esta pessoa a um primeiro entendimento, a base da obra que é a descoberta de que se é ego. A maioria aceita ao ego como um postulado, como uma verdade e se torna algo assim como um religioso as externas, outros aceitam ao ego e cedem a ele se tornando algo pior do que antes e a aqueles que percebem ao ego e começam a se separar deste fluindo aos poucos em direção ao novo, formando em si mesmo a estrutura da consciência, substituindo o velho pelo novo e uma vez que alcance isso seu despertar acontecerá, pois colocou em movimento uma nova engrenagem que com o tempo se fortalecerá. 
É preciso romper o início, é Davi contra Golias, dois ou três por cento dormindo contra noventa e sete ou mais em atividade. É possível? Sim! Muitos lograram e passaram pelo mesmo que voce esta passando, a diferença é que persistiram, não se deram por vencidos, não acreditaram na impossibilidade.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A prisão que o eu nos submete.

Parte do sono nos impõe o fascínio. As pessoas não sabem se relacionar com a matéria, com aquilo que as rodeia, se tornam fascinadas. Existem dois tipos de satisfação, a satisfação do ego e a satisfação no SER, cabe a cada um decidir que caminho seguir, talvez seja nosso objetivo na terra, neste plano, fazer uma escolha. Tanto o SER como o eu produzem satisfação, no primeiro é a satisfação que liberta, que eleva, que diviniza, nos dá inteligência, perfeição, sabedoria entre outras virtudes. A satisfação do eu é vinculada a posse, domínio, vaidade, fama, depende de agentes externos que nada significam e se possuem algum simbolismo é devido ao mesmo ego que opera nos demais validando aquilo que apenas é o que é. 
Na abnegação surge a liberdade e a capacidade de decidir pela consciência, no apego somos escravizados pelo valor que damos a algo. No SER não há o que perder por que ele é, no ego existe a perda pelo que ele é. A amargueza de passar de um para outro senhor é exatamente a luta das naturezas opostas, uma luta por espaço, o ego não cede facilmente por que crê ser real, um condicionamento vinculado a si mesmo.
Quando um Mestre se mostra abnegado não é apenas por regra, mas sim por que tem compreendido e dissolvido aquilo que é ante natural dentro de si mesmo e assim sendo é natural que seja simples, está integrado a harmonia e todas as coisas estão em seu lugar por que ele encontrou seu lugar fora do tempo onde reside a realidade das coisas, adquiri uma inteligência multidimensional. E por possuir a liberdade tem o direito de ter aquilo que lhe é necessário. É também mister que se torne um abnegado por que adquiri forças de caráter contrário as trevas interiores resultando na anulação destas mesma trevas para se divinizar e ganhar o direito de divinizar a humanidade ensinando o caminho.
Se adquiri a bondade é para anular seu oposto e não para demonstrar a si mesmo ou aos demais, apenas lhe natural, uma caminho lógico que contrária a lógica comum.

terça-feira, 17 de maio de 2016

A magia do trabalho sobre si mesmo.

A magia do trabalho está onde não imaginamos. É necessário sairmos do altar que edificamos pela nossa fantasia a respeito do trabalho sobre si. levamos conosco mesmo muitas representações sobre Mestres, consciência, templos, e isso é claro, não permite que vejamos a simplicidade daquilo que temos que fazer. A magia está no simples, Jorge Adoum diz que todo fundamento do trabalho se baseia em combatermos o mal pelo bem, um conceito simples, mas que se desdobra em muitas e muitas compreensões quando levado a prática. É mais ou menos como desenhar, existem muitos fundamentos, técnicas e materiais que podemos usar, a questão é que antes de tudo isso precisamos desenhar de fato, mesmo que de forma tosca, não importa, o que importa é o ato em si, aquilo que movimenta e a partir disso podemos afinar aquilo que necessitamos, achamos um rumo, o caminho de nosso SER.
Se voce perguntar para qualquer desenhista sobre como começou ele dirá exatamente isso, ele começou e seguiu. 
O trabalho esotérico nos pede basicamente uma coisa e desta coisa sairão todas as outras: esteja atento em si mesmo, se auto-observe. Se temos isso teremos a morte e todo o demais.
Na verdade temos uma idéia de que é difícil senão impossível se auto observar, é algo cansativo, desinteressante, estas ideias provém de nossa psique, altamente acostumada e viciada em seu estilo de vida, de percepção. Mais tedioso que o tédio é viver sem ser voce mesmo que toma as rédeas, observar-se é integrar-se, se unir, se descobrir, compreender, ser inteligente, perceptivo e outras vezes pode até mesmo te salvar a vida. 
Reflita da seguinte forma, como alguém pode viver dormindo e acreditar que aquilo que ocupa o lugar da consciência é real, observem a sua volta e vejam como todos se movem por e pelo ego, a suas ordens, sejam essa pessoas boazinhas ou ruins, no fundo são apenas eus. Se auto observar é despertar e claro, a engrenagem vai ressentir no início tal como um músculo atrofiado, apenas se exercitando desenvolveremos a capacidade. Se você sentir tédio, cansaço, frustração em se auto observar, está ai o que precisa morrer, eis o ego em voce mesmo.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Incoerência

Somos dotados de várias incoerências e a mais destacada delas é o cultivo da dor. Pode parecer absurdo e contraditório sim e acontece que as pessoas amam sofrer ao mesmo tempo que desejam se livrar da dor. O sentido da vida para as pessoas comuns é a busca da felicidade, mesmo que não saibam o que é a felicidade nem de como alcança-la. Utilizam os meios que a sociedade vende, todos estes objetivos sem sentido. A vida nos dá e tira e isso é apenas isso, perder e ganhar, não devemos criar sobre isso nenhum significado ou simbolismo, muito menos fixar estas coisas como um padrão do que é dor ou do que é felicidade, se assim fazemos fixamos conceitos e ficamos presos a estes.

No trabalho esotérico muitas vezes entramos em fases que sofremos e sofremos por sofrer não se dando conta que o encurtamento do sofrimento é exatamente eliminar o sofrimento eliminando aquilo que sofre. É o equivalente a alguém que está em um caldeirão de água fervente e para deixar de sofrer tal situação ele apenas deve sair do caldeirão, mas ao invés disso continua dentro da caldeirão se lamentando por estar ali dentro e assim continua ali dentro. 

No processo psicológico é igual, sofremos algo e ficamos ali apenas sofrendo com esse algo sendo que a solução é encarar aquilo e desintegrar custe o que custe. Confundimos a causa com a consequência, queremos resolver a consequência sem resolvermos a causa e assim prolongamos o sofrimento.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A consciência fora de seu lugar.

Os aspectos que nos tiram o trabalho são inúmeros tais como:

Não ser prático e aqui não nos referimos as práticas como as consideramos e sim quando não nos esforçamos em auto observar e morrer.

Mas como fazer isso se é exatamente o momento em que não consigo devido a consciência estar desencaixada, encaixotada pelo eu. Nestas horas trabalhamos com outros elementos, entre eles a paciência calculada, não significa conformismo, mas sim estar atento a brecha que surgirá para recolocarmos a consciência em funcionamento. Além da paciência devemos aprender a sermos serenos, sem desespero, o desespero não significa consciência, pois se fosse ela não haveria desespero nestes momentos, nem sequer entropia.

Já foi dito aqui antes que nos momentos de desânimo querem nos mostrar algo, aquilo que precisamos ver, na entropia nos visitam aqueles eus que nos perfazem, é uma oportunidade se soubermos perceber.

Na entropia pensamos muito, sentimos muito, os fantasmas do passado se fazem mais presentes, ficamos mais suscetíveis, nos aceleramos, a rotina fica mais presente, a vida para o eu fica sem graça por que não voltamos aos erros anteriores e todavia não temos a graça do trabalho presente. Nestes momentos devemos fazer o contrário, nos organizarmos, desacelerar, prestar mais atenção nas coisa, falar menos, se envolver menos, fazer uma coisa de cada vez, tranquilos e em determinado momento surge o estalo e daí seguimos a frente.

Esse é um processo que levamos e aos poucos será refinado, a cada período que passamos saímos mais fortes se resistirmos a tentação de ceder ao eu nestes momentos, o eu vende a ideia nestes momentos que não somos capazes, que a vida está ai para ser vivida, apenas se lembre nestes momentos que por mais que o eu argumente, os argumentos surgem exatamente de um eu e isso não pode ser verdade por que não é verdade. A grande questão é essa, rodamos por que acreditamos em nós mesmos e quem somos nós? Somos o eu.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entropia e os enganos do eu

Existe uma distorção na percepção do tempo quando a consciência perde força e o eu se encaixa, o eu passa a percepção de que não fizemos nada e estamos naquele estado por muito tempo, mesmo que você tenha vindo de um mês de trabalho bom. É um jogo para levar a pessoa abaixo e até mesmo a desistência. Isso leva muitos ao desespero. Nestes momentos é fundamental a calma por que vai voltar a consciência para dar continuidade ao trabalho, ela sempre volta, porém o eu nos faz acreditar pelos sabores que vibra que não, não voltaremos. Claro é que assim o eu deve se manifestar, é de seu interesse produzir esta crença, afinal. Ele é o eu e vibra contrário a consciência e de forma alguma vai funcionar como consciência. O eu apenas tem a capacidade de fingir ser a consciência e de que forma? Pensando sobre o mesmo trabalho, mas incapaz de realizá-lo, fornecendo assim uma falsa sensação de trabalho sobre si que no seu devido tempo resulta em outra entropia pelo fato de ser algo seco, falseado.
Tranquilidade nestas horas e na hora que retornar a consciência apenas seguimos a diante do ponto em que paramos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pensamento.

O ato de pensar é um ato próximo a loucura, aquilo que tanto valorizamos é exatamente o que nos torna algo próximo a loucura. Conversar consigo mesmo é no mínimo estranho. A diferença entre os loucos de verdade é estes conversam consigo mesmo em voz alta, já os demais conversam com a língua interna. Estamos sempre conversando conosco mesmo, pensando nos próximos passos, na conversa de ontem, no filme, planejando, criticando, calculando, se dando ordens e mais mil coisas do gênero. Mas afirmar que pensar é um ato de loucura é apenas parecer louco para os demais.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Pressão.

Quem trabalha sobre si recebe pressão, já foi escrito sobre isso anteriormente, recebemos pressão interna (nossa psique), pressão da sociedade e daqueles que nos cercam além claro a pressão da natureza em si. Pode parecer ruim a princípio, ninguém agrada viver sob pressão e assim é no trabalho interno. Acontece que na pressão rendemos mais no trabalho, obviamente não quero aqui dizer que alguém peça por pressão, seria um erro, um grande erro, apenas que isso vem ao natural de acordo com os desígnios de nosso SER e nada mais. Existem épocas mais tranquilas e outras duras e nestas horas se temos preparo extraímos o melhor disso.
Ao invés de falar aqui sobre, convido a reflexão, que cada qual perceba isso em si, de como a pressão nos ajuda nestas horas. É uma questão de percepção basicamente e um passo necessário a ser dado.
Fica uma passagem do Mestre Rabolú a qual dizia que a dor não deve ser rechaçada, devemos abraçar a dor quando esta surge. Isso deve ser compreendido além da superfície, além da primeira ideia a respeito, se compreendes a cerca disso, compreenderás sobre a pressão.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sobre o comentário.

Assim é, quando movemos o trabalho a legião sai a atacar e de diversas formas e de maneiras que não supomos, é você contra você mesmo e nestes momentos há que ter paciência. Boa parte do sucesso no trabalho pode se dizer que é acreditar que se possa fazer, existe muito ai para se refletir, se não temos essa vontade ficamos ai mesmo, é uma questão matemática, como realizar algo que não acreditamos poder fazer? Tem que se dar duro diretamente nestes pensamentos, não importa onde, em que momento, até mesmo um suspiro de desanimo deve se bater firme e chega um momento em que se vão e daí surge algo mais de Fé além de aprendermos mais sobre o mesmo trabalho e por consequência sobre o eu. O prazer de morrer é aprender mais sobre o funcionamento do eu e suas artimanhas, um desvendar de si mesmo. 
Ao se deitar temos a conjuração e o círculo que nos protegem ao físico, quanto a conjuração dos próprios eus o melhor é dar-lhes a morte sem vacilo, com intensidade, assim desfazemos das causas.
O que ocorre ai é que são muitos detalhes e muito parecidos e temos a ilusão que isso não se acaba, não se passa, esse também é um pensamento do mesmo eu que deseja resultados. As coisas vem ao natural e por matemática se fazemos nossa parte a coisa acontece ao seu devido tempo. Seja tranquilo, seja objetivo e evite pensar sobre morrer e observar, ao invés disso, morra ao que lhe chegue sem se preocupar por isso ou aquilo que se manifesta, não desvie o olhar de tuas reações, fite diretamente a elas e sem medo aplique a morte quantas vezes se fizer necessário. 
Faça destes eus de desânimo seu projeto pessoal e verás que sim se pode derrotá-los.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nossa luta por espaço.

Qualquer luta justifica-se por espaço conquistado, não é diferente no esoterismo, deixando de lado todo romantismo podemos dizer que é uma questão séria e definitiva. A entropia está condicionada a perda de espaço para o eu, não significa que na entropia perdemos aquilo já conquistado, apenas se nesse período nos metermos em pecados capitais. Podemos afirmar que o que conquistamos está atrás da linha de frente, do campo de batalha atual e este campo se dá no presente momento e se determina por qual vibração se manifesta, ou vibramos consciência ou ego, se vibramos a primeira notoriamente não nos afetamos pela vida e se manifestamos a segunda recebemos a pressão do mesmo eu, desejoso de realizar atos em seu nome e é quando tudo parece distante, impossível e lógico, tal classe de pensamento ou sentimento é produto dele mesmo, do eu. A questão é que nestes momentos não lembramos disso, voltamos a nos confundir com o próprio eu e alguns até aceitam a sua argumentação, crendo ser real por se manifestar em sua mente, em seu coração. Mas o que é real nisso tudo e por que alternamos entre um estado e outro? Na própria alternância temos a prova definitiva de que somos duas naturezas, uma que sabe o que quer e outra que deseja por si mesma. Ai está o porque de não cedermos, mesmo que pareça muito lógico o que o eu proponha. Lembre-se antes de tomar qualquer medida e reflita se aquilo que te impulsiona é verdadeiramente a consciência.

terça-feira, 22 de março de 2016

Pressão - Revolução.

Muitas vezes aquilo que temos que aprender nos chega da forma mais dura. Nos pressionam naquilo que deve morrer, a própria pressão que o eu exerce é exatamente a senha para irmos sobre ele. O tal óbvio que não queremos ver e sendo assim não nos resta senão sofrer, mas quem sofre? Eis a pergunta chave! Quem sofre é o mesmo eu, sofre por qualquer coisa e ai a situação fica interessante, não vão nos tirar este eu por que sofremos com ele, ora, o sofrimento é do mesmo eu e a única maneira de cessar é cedendo a ele e se fazemos, perdemos o trabalho. Enfim, só temos uma saída, temos que ir a frente custe o que custe, em vez de esmorecer pela agonia do eu, de cabo da mesma agonia, ambas são a mesma coisa e assim seguimos. A pressão é benéfica nestes momentos, a mesma pressão do eu se inverte contra ele mesmo se quisermos, repito, ao invés de sofrer sua ação, sua dor, suas memórias, eliminemos a tudo isso e assim o sofrimento cessa, não esperem que um anjo vai descer e compreender nosso sofrimento e tirá-lo de nós por que somos gnósticos, isso não vai acontecer, afinal o trabalho é suportar a pressão e virar a mesa sobre o eu, para isso serve a pressão, para sermos revolucionários. Isso se aplica não somente na dor, mas também no prazer, ambos são parte do mesmo sonho, da mesma ilusão, ambas são você mesmo, constituem a si mesmo durante vidas inteiras. Querer realizar o trabalho baseado em moldes arraigados, antigos é inútil, não leva a lugar algum, quando decidimos pelo trabalho devemos apenas fazê-lo, é impossível conciliar mundos, a única maneira de chegarmos a liberdade total é atravessar as paredes até ela, para se ver a realidade além do ego devemos descartá-lo. A grande dificuldade nisso tudo é que repetidamente nos confundimos com o ego. ele pensa por nós, sente por nós, é um condicionamento, crescemos assim e vivemos assim e ao olhar a nossa volta todos fazem assim e nos convencemos que somos aquilo que somos. Quem se apaixona, quem se encoleriza, quem pensa no trabalho interno, quem olha, quem julga, quem desanima, quem questiona, quem sente saudades, quem ri, quem comenta, acusa, se justifica, se anima, se envaidece é ele, o mesmo ego, todo tempo o tempo todo. A chamada porta estreita é estreita devido a isso, para romper consigo mesmo é preciso passar pela porta estreita, as demais portas apenas levam ao mesmo. O CRISTO é revolucionário, sejamos pois soldados de CRISTO. Sua vida é uma mentira, você nunca a viveu de fato, apenas o ego tem vivido ela por você. 

Isso me lembra aquilo que o Mestre diz, no fio da navalha não existe volta, se voltamos vamos ao abismo. Não existe esquerda ou direita, apenas o fio.




segunda-feira, 14 de março de 2016

Resposta dois.

O exercício para dominar os sentidos é exatamente a auto observação, Mestre Judas diz sobre os sentidos: "Despertar é saber usá-los e não confundi-los com você...."  
Pela falta de atenção sobre si mesmo estamos viciados em nossos sentidos, pois pela falta de um sentido superior utilizamos os sentidos ordinários, nas mãos do eu e disso vem a sensualidade, a identificação.
Consciência é atenção, atenção é consciência em ação.
O trabalho nos pede inicialmente uma coisa que deve crescer a seu tempo e é a atenção sobre si, assim educamos os sentidos gradualmente e naturalmente.
Nos não somos os sentidos, os sentidos devem servir aquilo que captam a consciência que é a atenção sobre si.